"Entendi que não havia vontade política"

A antiga coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior refere que decidiu deixar essa função uma vez que sentiu que não existia vontade política para concretizar algumas das reformas que pretendia implementar no sentido de esbater as assimetrias entre o Litoral e o Interior.

“No meu entendimento, Portugal precisa de um misto. Precisamos de ter políticas para as pessoas e políticas para os territórios. Temos de saber combinar estas duas orientações e era isto que eu me propunha fazer com o plano nacional para a coesão territorial. Eu saí da unidade de missão para a valorização do interior a certa altura porque entendi que não havia vontade política para levar a bom termo esta minha proposta. Mas tenho dito e mantenho que deixei a unidade mas mantenho a missão e é por isso que estou aqui e vou continuar a andar por ai”.

Helena Freitas (foto) considera que o país precisa de ter uma verdadeira unidade ministerial a favor da coesão do território, que não se esgote na criação de uma Secretaria de Estado na cidade de Castelo Branco “nós não precisamos de ter um secretário de estado em Castelo Branco, quiçá será um presente envenenado como aqui foi dito, embora politicamente até funcione. Aquilo que precisamos é de uma área ministerial que tenha só como incumbência a coesão territorial. É preciso. Não há outra maneira. 90 por cento da despesa da administração pública Portuguesa está em Lisboa e isso significa que os serviços também estão em Lisboa. E mais de metade da capacidade de resposta aos serviços da administração pública também está na área metropolitana de Lisboa. Isto implica emprego e dinâmica económica e essa é que é a grande questão”.

E num olhar sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2019, mostra-se muito céptica quanto ao anúncio de atribuição de benefícios fiscais para as empresas que se fixem no interior do País “eu não acredito no eixo da política fiscal. Não acredito que os benefícios fiscais venham a resolver o problema mas admito que possam gerar uma expectativa positiva e nós chegámos a um nível tão baixo, a uma depressão tão intensa, que eventualmente o benefício fiscal é um tónico e pode-nos fazer acreditar que se calhar é desta. Mas o histórico que existe de benefício fiscal não trouxe nada”.

Declarações da antiga coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior durante a conferência organizada esta semana pela União de Sindicatos de Castelo Branco, no Fundão, sobre o tema “Desenvolver o Interior”.

Radio Cario no Facebbok

Convento Belmonte

Convento de Belmonte